Construindo um Sertão Sustentável e Solidário
O projeto “Construindo um Sertão Sustentável e Solidário”, co-financiado pela União Européia, visa a difusão da agroecologia (inclusive na agricultura urbana), o acesso a mercados locais, a relação com consumidores conscientes - na produção de
alimentos orgânicos, no
processamento dos produtos naturais e na
comercialização em feiras agroecológicas locais.
Objetivos e Resultados
O objetivo geral do Projeto “Construindo um Sertão Sustentável e Solidário” é a redução da pobreza e o fortalecimento da coesão social entre as populações urbanas e rurais de 7 municípios do Sertão de Pernambuco com base na Economia Solidária com Sustentabilidade Ambiental, em colaboração com autoridades estaduais e municipais.
O objetivo específico é melhorar a qualidade de vida de 700 famílias urbanas e rurais em parceria com órgãos públicos estaduais e municipais, através do incentivo e fortalecimento da produção e comercialização agroecológica e solidária e por meio do acesso e participação dos grupos comunitários às políticas públicas para efetivação dos seus direitos.
Resultados Esperados
- 20% de aumento da oferta de produtos agroecológicos diversificados de preço justo e fortalecimento do mercado local de produtos saudáveis, de qualidade e sem agrotóxicos.
- Ampliação dos níveis de segurança alimentar e nutricional nas áreas urbanas e rurais, especialmente para crianças e adolescentes.
- Ampliação da biodiversidade e limitação dos processos de desertificação e de empobrecimento do solo.
- Aumento da renda das 700 famílias participantes nas áreas urbanas e rurais.
- Crescimento da aquisição governamental de produtos e sua distribuição nos municípios envolvidos.
- Fortalecimento de tecnologias sociais e de mecanismos locais de Economia Solidária e maior integração e coesão entre os grupos vulneráveis das áreas urbanas e rurais.
- Fortalecimento da organização social das famílias participantes através da ampliação das capacidades de influenciar políticas públicas voltadas para o atendimento de suas necessidades produtivas e sociais.
Convivendo com o Semiárido
São inúmeras as soluções utilizadas na construção desse novo sertão que queremos. Algumas são soluções técnicas, outras educativas, outras ambientais, e outras ainda políticas.
A abordagem geral é a da “convivência com o semiárido”, onde não se procura “combater a seca” (que era o paradigma utilizado até os anos 80), mas sim, aprender a conviver com o clima e com o bioma (caatinga) típicos dessa região, aproveitando ao máximo a água da chuva.
Cultivando em terras secas
“O Sertão vai virar mar”, profetizava Conselheiro. De fato, nessa região tão seca, qualquer gota de água vale por um oceano de vida. Essa água cai do céu, como chuva, mas se perde ou se evapora rapidamente.
Novas tecnologias sociais, de baixo custo, como a cisterna de placas, colhe essa água e a armazena, límpida, para consumo humano; ou para uma pequena produção, como as cisternas-calçadão, os barreiro-trincheiras, as barragens subterrâneas, as barragens sucessivas, e tantas outras que estão sendo implementadas, através da Articulação no Semi-Árido, da qual as organizações parceiras do projeto “Construindo um Sertão Sustentável e Solidário” formam parte, juntamente com centenas de outras, numa rede plural e extensa.
A novidade aportada pela agroecologia/”convivência com o semiárido” é justamente a possibilidade de cultivar em terras secas, antes desprezadas, criando assim oportunidades de vida.
Tecnologias Sociais
O fator essencial para a convivência com o semiárido, tirando milhões de famílias do nível da miséria, é a utilização de tecnologias adequadas – de baixo custo, de baixo “input”, fáceis de serem entendidas, implantadas e mantidas pelas próprias famílias.
Existe um repertório enorme de tais tecnologias, já utilizadas, testadas, e sendo implantadas por programas liderados por organizações da sociedade civil – a ASA (Articulação no Semiárido) e financiados por diversos ministérios, como o MDS, o MDA, o MMA, o MCT, Educação, Saúde, e outros. A principal dessas tecnologias, a mais vital, tem sido a cisterna de placas, um tanque fechado, utilizado para coletar a água de chuva, que já citamos acima.
Quintais produtivos
A urbanização faz com que muitas famílias agricultoras migrem para as cidades de porte médio, em busca de melhor qualidade de vida (nem sempre alcançada!).
Entretanto, nos bairros de periferia onde se estabelecem, existem sim espaços para um pequeno cultivo agroecológico, utilizando os quintais, que assim se transformam em “quintais produtivos”.
Neles, se pode obter uma maior diversidade de alimentos (inclusive pequeno criatório) para enriquecer a dieta e a segurança alimentar dessas pessoas, bem como para abastecer (e assim gerar renda) os mercados locais.
Hortas escolares
Para melhor disseminar essa abordagem, em algumas escolas públicas serão implementadas, com o trabalho de alunos e a assistência de professores, hortas escolares – educando, assim, novos produtores e consumidores sustentáveis.
Consumidores sustentáveis
Novos consumidores, com uma nova consciência do que representam os alimentos para sua saúde, estão emergindo rapidamente nos centros urbanos, especialmente nas cidades de médio porte.
As “feiras orgânicas”, ou agroecológicas, têm crescido, e mais e mais pessoas procuram produtos de qualidade, advindos da agricultura familiar.
Relações entre pequenos produtores agroecológicos e consumidores se fortalecem, e se transformam em relações de fidelidade e de amizade. São essas as relações de “economia solidária”, ou de “mercado justo”, que o Projeto “Construindo um Sertão Sustentável e Solidário” busca promover.
Participação
Um novo Sertão está surgindo, fruto de uma nova consciência, de uma nova identidade – mas necessita ser cuidado, ser “aguado”, e para isso as políticas públicas de promoção desse setor são essenciais.
O Projeto, com seus parceiros, apóia a organização política e econômica dos(as) agricultores(as) familiares, em suas associações, cooperativas, sindicatos, grupos de mulheres, grupos de jovens, grupos de pastoral.
Tais organizações e suas redes se qualificam melhor para participar das instâncias de consulta, formulação, implantação e controle social das políticas públicas. Especialmente, enfatizam a abordagem do desenvolvimento baseado em direitos – sintetizado no Direito a um Meio de Vida Sustentável. Pois se tratam de direitos, e não de “favores” (como quer fazer crer a elite política tradicional nesses territórios), e não só de direitos, como também de responsabilidades.
Para mais informações sobre o projeto, mande uma mail para
info@isbrasil.org.br